domingo, 16 de agosto de 2009

Do que eu tenho medo?

Do que eu tenho medo?
Da dor?
Doerá.
E muitas vezes.
Já doeu; sei como é.
Da morte?
Morrerei.
Uma vez apenas.
Um dia acontece, é natural.
Foi natural com a tia Tilma, irmã de minha mãe.
Trinta e poucos anos e um aneurisma.
Vô Otaviano, câncer.
Natural.
Esses foram os primeiros.
E não foram os últimos...
Vô Sabadini - Eugenio, calado, tu fostes logo após Elvira;
A tua mulher, tagarela, me fez um pedido no leito de morte...
Eu deveria...
Converter meu pai!
Eu?!
Os cigarros mataram tio Celso?
Naturalmente.
A vida de caminhoneiro agiu como estimulante.
O álcool e as prostitutas também.
A estrada é um sinuoso e negro playground.
Que vida!
Quando nasci, em 1980, meu pai também era caminhoneiro.
Ele estava na estrada - no hard feelings.
A estrada é um sinuoso e negro playground, não é?
Do que mesmo eu tenho medo?
Dor?
Morte?
Talvez a solidão...
Apagar...
E existir...
No vácuo...
Surdo, cego e mudo...
Hamlet?
Talvez.
Mas, não gosto de punhais.
Não tenho desejo de morte.
Ela acontece.
É natural.
É mais uma viagem.
A estrada é um sinuoso e negro playground.
But, no hard feelings.

3 comentários:

nate disse...

duas palavras pra ti, bigade: para-béns!

estás cada vez, cada vez melhor!

sinto saudades do senhor, espero ainda encontrá-lo neste negro playground.

abração!

Nandadoors disse...

Todos temos medo da solidão.
Se não por nos sentirmos só,sim pelo prazer de ficar sozinho e sermos felizes. Felicidade assusta. Viver assusta: na loucura e na moralidade. Mas a morte,bem, essa deixamos pra quando realmente deve ser.
=*

Bru disse...

Nice!